JOSÉ FERREIRA NETO

A entrevista com Neto quase aconteceu (ou deixou de acontecer) diversas vezes.

Foi quase agendada em algumas tentativas, até que um dia, bingo. Mas, teve que ser cancelada, porque minha filha estava pra nascer.

Sua primeira quase locação foi em Campinas. A segunda, na casa do craque em São Paulo.

Acabou acontecendo na Band, antes da entrada ao vivo de seu programa diário.

Tudo montado. Neto chega sozinho e olha para nossa equipe esperando por ele e dispara com uma espontaneidade carismática: “Cara, que gravação é essa? Sobre que porra é pra falar? Não me lembraram que eu tinha isso hoje, senão tinha chegado um pouco mais cedo.”

Somos apresentados.

Explico em poucas palavras o ESPORTE(ponto final). Neto é um cara que pega as coisas no ar, rápido. Curte a ideia, sem muita demonstração e já rebate rápido: “Pode perguntar o que você quiser”.

Embora pareça um frase básica, ela é a janela para uma boa entrevista e que por coincidência ouvi de outro ídolo corintiano na primeira entrevista do E(pf)

A partir daí não tem erro, Neto senta e começa a prosear.

Falamos sobre futebol como era necessário, sobre Corinthians como era esperado – sou filho de um pai corintiano roxo e me lembro da alegria da pessoa em abrir a janela, quando o time foi campeão brasileiro pela primeira vez. Foi o símbolo da libertação de uma nação. Aquela abertura de janela que vi com 15 anos, foi uma imagem que guardei, tentando entender que porra é essa, que o esporte provoca na construção de cada pessoa. Vai entender?!

Ao final, falamos sobre o inesperado – uma memória de quando Neto tinha 17 anos que ficou em sua cabeça. Um momento de outro garoto humilde, de outra cidade pequena, que também fala tudo o que pensa, sem desvios. Duas personalidades distintas, de modalidades distintas, com temperamentos distintos, tudo conectado pelo esporte.

JOSÉ FERREIRA NETO