OSCAR SCHMIDT

A entrevista foi marcada diretamente com o Oscar, sem intermediários. Muito simpático desde o início, ele havia proposto gravarmos em uma brecha dos comentários dos Jogos Olímpicos de Inverno.

No dia em que apontou como sendo possível, a equipe se preparou e foi para a locação combinada. A entrevista ia acontecer, só não tinha horário.

Chegamos ao Centro de Cultura Judaica em São Paulo era meio da tarde. Montamos o equipamento e aguardamos.

Depois de alguma espera, de ligações sem sucesso e da noite chegar, mesmo sem ter hora marcada desde o início, a produtora achou por bem ordenar para a equipe desmontar. Sem saber muito bem o que poderia ter acontecido, a equipe obedeceu.

Quando já estávamos no trânsito de São Paulo, dentro do carro de produção, o celular da produtora tocou. Todos dentro do carro ouviram a voz inconfundível, embora o telefone nem estivesse no viva-voz – “Aqui é o Oscar. Dá tempo ainda?”

Centro de Cultura Judaica de novo.

Sobe, monta equipamento, espera.

Quando a figura de 2,05 passou pela porta, tinha duas opções: um caminho livre à esquerda até o set de luzes montadas ou um caminho apertado pela direita, passando pelas câmeras e por toda equipe. Como era de se esperar, foi pela direita, cumprimentando um por um. Parece bobagem, mas chamou a atenção.

Sentou na cadeira e começou a papear sobre o modelo de câmera que estávamos usando e aconselhou a produtora a parar de andar de moto em São Paulo, porque ele acha perigoso demais.

O motivo do breve sumiço à tarde? Precisou ir ao dentista. Saiu do dentista, veio correndo para a entrevista e depois ia comentar um jogo para TV. Ainda estava com a boca anestesiada.

Oscar gosta de conversar, é uma excelente testemunha de histórias e se diverte contando as coisas. Olha no olho. Faz questão de deixar as pessoas à vontade perto dele.

Falou sobre tudo que foi perguntado de uma forma tão direta, sem rodeios, que impressiona. Isso não se vê todo dia, ainda mais em frente às câmeras.

No fim, deu tudo certo na entrevista que não tinha hora marcada e que quase não aconteceu. Imprevisível e certeiro.

OSCAR SCHMIDT