SÓCRATES BRASILEIRO

São 20:30 de uma quinta-feira, quando o Dr. chega pontualmente na hora combinada. Estamos dentro da TV Cultura, onde ele gravará o Cartão Verde em poucas horas.

Vem de Ribeirão Preto, acompanhado pela mulher. Rotina recente, que segue todas as quintas à noite.

Conta sorrindo que às vezes fica em São Paulo para curtir a sexta-feira, às vezes volta para Ribeirão na quinta mesmo.

No caminho pela estrada, gosta de parar com a mulher em cidadezinhas entre a capital e Ribeirão que não conhecem ainda. Mas agora tudo sem boemia, os tempos de farra ficaram para trás.

Porém, eu aprendi com Nelson Gonçalves que bons boêmios não se aposentam.

Conversamos um pouco. É a segunda vez que faço uma entrevista com ele. A primeira vez, um programa no qual ele e o Juca Kfouri foram convidados. Cito rapidamente o episódio, que ele, com imensa simpatia, diz lembrar dentre as infinitas entrevistas que deve ter dado na carreira.s

A entrevista começa.

O Dr. é o caso típico da razão tão perfeita que emociona.

E veja, de forma nenhuma digo que ele é apenas razão. Seria uma injustiça.

Só quem se dispõe a sentir de verdade as coisas pode refletir tanto sobre elas. Como ele mesmo diz, não tem nada de frio. Tem clareza, coerência, entendimento do seu papel.

É um dos jogadores mais polêmicos de todos os tempos. Mas não se trata de uma polêmica confusa, não. Tem muito sentido. Tem razão de ser.

Que jogador, em tempos de beijos na camisa sem sentido, admitiria ser santista quando criança e ter virado corintiano pela identificação com time?

Que indivíduo é esse que consegue dialogar com a torcida do Corinthians inteira?

Começamos bem. Começamos com o Dr.

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